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Desencontro. António Gedeão

Que língua estrangeira é esta

que me roça a flor do ouvido,

um vozear sem sentido

que nenhum sentido empresta?

Sussuro de vago tom,

reminiscência de esfinge,

voz que se julga, ou se finge

sentindo, e é apenas som.

 

Contracenamos por gestos,

por sorrisos, por olhares,

rodeios protocolares,

cumprimentos indigestos,

firmes aperto de mão,

passeio de braço dado,

mas por som articulado,

por palavras, isso não.

Antes morrer atolado

na mais negra solidão.

 

António Gedeão

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Poema de Amor do Antigo Egipto

Quando me dá as boas-vindas
De braços bem abertos
Sinto-me como aqueles viajantes que regressam
Das longínquas terras de Punt

Tudo se muda; o pensamento, os sentidos,
Em perfume rico e estranho

E quando ela entreabre os lábios para beijar
Fico com a cabeça leve, fico ébrio sem cerveja

Poemas de Amor do Antigo Egipto, p.27
tradução de Hélder Moura Pereira
Ed. Assírio e Alvim