Categoria: Ingmar Heytze

Segunda meditação. Ingmar Heytze

dandelion

Alguém te sopra como se fosses um dente-de-leão.

Nua, flutuas no escuro e não sabes –

o que é escuridão, ou luz, ou tu, ou existência.

E no entanto as sementes dançam à tua volta,

filamentos a caminho do nada. Talvez um caia em terra fofa.

A probabilidade de germinar é extraordinariamente pequena,

mas tudo flutua. Tudo junto és tu.

 

Ingmar Heytze

Anúncios

Primeira meditação. Ingmar Heytze

images

És a única árvore no mundo que recusa

crescer em direcção à luz. Em vez disso enterras-te

com raízes cada vez mais profundas,

camada de terra após camada, tempo passado,

rumo ao calor, e calculas já estar a meio caminho.

Depressa deixas de sentir as toupeiras, minhocas

ou raízes de outros seres, tetra-cego das cavernas

na sua noite infinita. O frio é cada vez maior.

Não sabes se consegues crescer a distância necessária

para encontrares o magma. Estás só, mas a caminho.

 

INGMAR HEYTZE

poema aqui

Às vezes estrelas. Ingmar Heytze

Lehr_TheSeedlingStars

Os vizinhos da esquerda, ar reformado

sobre um telhado entre paredes exteriores.

À direita, uma mulher que fala com a televisão

e todas as noites adormece antes das dez.

Debaixo: homem que acorda assustado

se algures alguém abre uma torneira.

Por cima: pombos. De vez em quando uma andorinha.

Às vezes estrelas. Mas mais frequentemente

a trovoada me visita.