Conta e tempo. Frei António Chagas

1aniversario

Faz hoje um ano, que o Poemário começou…  ou seja, foi publicado um poema, dia após dia (em alguns casos, excepcionais, dois poemas num dia… por isso, 365 poemas não corresponderam realmente ao ano).

Muitos poemas aqui publicados têm mais do um, dez e, mesmo, cem anos…O tempo do blog não tem a ver com os tempos vividos a apreciar poesia.

Conta e Tempo
Frei Antonio das Chagas (1631-1682)

Deus pede hoje estrita conta do meu tempo.
E eu vou, do meu tempo dar-Lhe conta.
Mas como dar, sem tempo, tanta conta.
Eu, que gastei, sem conta, tanto tempo?

Para ter minha conta feita a tempo
O tempo me foi dado e não fiz conta.
Não quis, tendo tempo fazer conta,
Hoje quero fazer conta e não há tempo.

Oh! vós, que tendes tempo sem ter conta,
Não gasteis vosso tempo em passa-tempo.
Cuidai, enquanto é tempo em vossa conta.

Pois aqueles que sem conta gastam tempo,
Quando o tempo chegar de prestar conta,
Chorarão, como eu, o não ter tempo.