Categoria: Eduardo Pitta

Pouco tenho para alinhavar. Eduardo Pitta

2015-11-06 20.42.39-1

Pouco tenho para alinhavar.
Dizer-te que estou longe
não apaga esta ausência que,
inelutavelmente,
nos distanciou.

 

Cercam-nos muros de silêncio
opresso.
A própria hera não ousa
na despudorada nudez branca
de paredes que interditam

a fantasia ao forasteiro
voraz.
O gesto tolhido,
o pretexto adiado
e a memória a estiolar.

Eduardo Pitta

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Ocupamos a paisagem. Eduardo Pitta

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Ocupamos a paisagem

que, desocupada, se ocupa

de nós.

Tempo de ocupação, este.

 

Somos o estrangeiro

que o silêncio de paredes

brancas e esquecidas

perturbou.

 

Extasiado ao menor rumor

de um estio

duro e claro

— todo lâminas.

 

Perplexo da memória

destes dias

sufocados em tédio

e cal.

 

Da palavra para a pedra

arrastando-se aquáticos

— as mais sazonadas

as menos polidas.

 

Crestada que foi,

na raiz do tempo, toda

a subliminar tentativa

de retorno.

 

Eduardo Pitta