Why? Bertel Gripenberg

Velas04

Why did you sing only of the moment’s pleasure,
The joy of the hour, the second’s radiance?
Why did you say nothing of the happiness that for long years
Most quietly, purely burns — did you forget its existence?
Why did you sing of darkness, loneliness and death,
Why did you sing the frosty destinies of the defeated?
Be silent, questioner! Brief, glowing as sparks
Mv moments of happiness flew by.
Ihe words of love that soon grew silent only lied,
Brittle was the crystal of my joy, volatile the wine in it.
Mine was only the blinding illusion of dream-seconds,
The twinkling fall of shooting stars, the hurrying splendour of feasts.
Everyday happiness, the ordinary, warm and quiet,
Never laid its head upon my fevered brow.
The day of work is long and longer is the night of suffering,
The winged laughter of happiness is hut a swift-spent lightning bolt.

Bertel Gripenberg

Voa, meu sonho – Bertel Gripenberg

White Tern_Hawaii
Voa, meu sonho, voa sobre as planícies geladas,
Voa sobre as árvores mortas do Inverno,
Paira sobre a lonjura das belas noites de estrelas,
Nunca pares, continua a voar cada vez mais.
Arde, minha saudade, como chama eterna,
Arde na escuridão onde tudo se apagou e foi há muito.
Eterna é esta saudade, é a vida, é a ousadia,
E o fogo que salta sobre o véu de cinzas.

Compreende que para quem nada conseguiu,
E junto à praia nunca repousou,
Não há morte para alta fogueira que ardeu,
Não há medida para terras azuis da sua saudade.
O meu coração vive de saudade em saudade.
Sempre para desconhecida costa se volta –
A saudade de um poeta não obedece às leis do espaço,
A terra dos sonhos não tem fronteiras.

Bertel Gripenberg.
Trad. José Agostinho Baptista