vita brevis. Vasco Graça Moura

a vida breve, revele-a
a pulsação que lateja
no efémero da camélia,
ou no lustro da cereja,

é a do coração que dita
a dor que lhe sobejou
e tenta deixá-la escrita
mas não conta o que escapou

pelo espelho, quando a máscara
vai perdendo o frenesim,
e agora tanto lhe faz: para
o caso é mesmo assim,

nem há lixa ou aguarrás
que apague as marcas que traz.

Vasco Graça Moura
uma carta no inverno, Quetzal Editores, Lisboa, 1997

trazido daqui

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