Independênca. Jorge de Sena

Recuso-me a aceitar o que me derem.

Recuso-me às verdades acabadas;
recuso-me, também, às que tiverem
pousadas no sem-fim as sete espadas.

Recuso-me às espadas que não ferem

e às que ferem por não serem dadas.
Recuso-me aos eus-próprios que vierem
e às almas que já foram conquistadas.

Recuso-me a estar lúcido ou comprado

e a estar sòzinho ou estar acompanhado.
Recuso-me a morrer. Recuso a vida.

Recuso-me à inocência e ao pecado

como a ser livre ou ser predestinado.
Recuso tudo, ó Terra dividida!

Jorge de Sena. Poesia

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