Coisas de partir. Ana Luísa Amaral

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Tento empurrar-te de cima do poema
para não o estragar na emoção de ti:
olhos semi-cerrados, em precauções de tempo,
a sonhá-lo de longe, todo livre sem ti.

Dele ausento os teus olhos, sorriso, boca, olhar:
tudo coisas de ti, mas coisas de partir…
E o meu alarme nasce: e se morreste aí,
no meio de chão sem texto que é ausente de ti?

E se já não respiras? Se eu não te vejo mais
por te querer empurrar, lírica de emoção?
E o meu pânico cresce: se tu não estiveres lá?
E se tu não estiveres onde o poema está?

Faço eroticamente respiração contigo:
primeiro um advérbio, depois um adjectivo,
depois um verso todo em emoção e juras.
E termino contigo em cima do poema,
presente indicativo, artigos às escuras.

in Coisas de partir, Lisboa, Gótica, 2001

One thought on “Coisas de partir. Ana Luísa Amaral

  1. Alguém compreende:
    “E o meu alrme nasce: e se morreste aí,
    no meio do chão sem texto que é ausente de ti?”
    “E o meu pânico cresce: se tu não estiveres lá?”
    Este poema está a ser dificíl interpretar…😕

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