Primeiro encontro. Frederico Pedreira

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Nunca percebi o
silêncio obstinado das
praias da marginal
pelas noites de inverno,
a indiferença das coisas
em que um dia fomos grandes.

Não exijo agora que te molhes,
– a água está tão fria – ou que me
dês uma das tuas mãos. Gostava,
por uma vez, que este mar
sossegasse connosco dentro.

Rema, temos tempo.

Ainda que seja sempre tarde
para irmos mais longe,
podemos seguir
o balanço que nos separa.

Frederico Pedreira,

Doze passos atrás, Artefacto, 2013, p. 67.

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