Mês: Dezembro 2014

Talvez Deus se tenha enganado. Nuno Higino.

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Queria centrar-me todo em certas palavras, ocupar o espaço
sem necessidade de coordenadas, errar o tempo
tomando-o por tempos que nunca existiram. Desejaria a sorte
dos que morreram em naufrágios e foram poupados
à habitação dos cemitérios. Nunca tive jeito para ser feliz
[nem para gritar] e pior que isso: condenado à efémera
duração dos sonhos [bastava a poesia para condenar-me]
Talvez Deus se tenha enganado: sobre o barro soprou a vida
em vez do sonho.

 Nuno Higino. Talvez Deus se tenha enganado. Letras & Coisas (2004)
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A minha vida, a mais hermética. Fiama Hasse Pais Brandão

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Este amor literal, o pormenor dos lábios, a aproximação

da consciência é a situação mais nítida sobre a profundidade dos gritos.

Sobre a colina tradicional, sendo a tradição um único

momento, estou na mesma situação de Blake e na situação

de mim mesma quando ouvia o infinito no grito das crianças

e quando era evidente. Porém não terminava o crepúsculo, nem os jogos

se estavam a tornar obscuros, nem junto à casa aparecera

a fisionomia da imagem

de mãe. Nada se opõe, tudo difere, este sistema simbólico

inclui os gritos, com mais numerosas referências.

 

Tudo o que disse com literalidade deverá parecer,

agora, o aviso de que a minha vida é a mais hermética.

 

Fiama Hasse Pais Brandão