Se eu escrevesse um poema sobre ti. António Barroso Cruz

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Se eu escrevesse um poema sobre ti…

…teria que convocar as madrugadas
em que acordámos abraçados,
de peles húmidas e orvalhadas,
em beijos (des)compassados
em que os silêncios eram palavras

Se eu escrevesse um poema sobre ti…

…agarraria nos sorrisos que me deste
e em tantos momentos apenas nossos,
nos abraços com que me preencheste,
e nos pensamentos mais devassos
que nos percorreram o norte, o sul, o leste

Se eu escrevesse um poema sobre ti…

…escreveria sobre o mar
e as nuvens que disputam o céu,
desse verbo que gostamos de conjugar,
dos nossos corpos nus, sem véu,
e que rima(m) com loucura, com paixão, com amar

Se eu escrevesse um poema sobre ti…

…desenharia um vulcão incandescente
um raio caído sem destino,
ou uma tarde calada e entorpecente,
um orgasmo inequívoco em puro desatino,
um amanhã sem letras, (in)consciente

Se eu escrevesse um poema sobre ti…

…invocaria os deuses desconhecidos
para cantarem em coro o nosso requiem
em celebração dos gestos decididos,
nas auroras, e nos ocasos também,
inscritos nos devaneios preteritamente iludidos

ai…se eu escrevesse um poema sobre ti…

António Barroso Cruz, Poemas à Flor da Pele, 2013

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One thought on “Se eu escrevesse um poema sobre ti. António Barroso Cruz

  1. Cântico dos Cânticos, 4
    Salomão (?)

    Tu és bela, minha querida, tu és formosa!
    Por detrás do teu véu os teus olhos são como pombas, teus cabelos são como um rebanho de cabras descendo impetuosas pela montanha de Galaad, teus dentes são como um rebanho de ovelhas tosquiadas que sobem do banho; cada uma leva dois (cordeirinhos) gêmeos, e nenhuma há estéril entre elas.
    Teus lábios são como um fio de púrpura, e graciosa é tua boca.
    Tua face é como um pedaço de romã debaixo do teu véu; teu pescoço é semelhante à torre de Davi, construída para depósito de armas. Aí estão pendentes mil escudos, todos os escudos dos valentes.
    Os teus dois seios são como dois filhotes gêmeos de uma gazela pastando entre os lírios.
    Antes que sopre a brisa do dia, e se estendam as sombras, irei ao monte da mirra, e à colina do incenso.
    És toda bela, ó minha amiga, e não há mancha em ti.
    Vem comigo do Líbano, ó esposa, vem comigo do Líbano! Olha dos cumes do Amaná, do cimo de Sanir e do Hermon, das cavernas dos leões, dos esconderijos das panteras.
    Tu me fazes delirar, minha irmã, minha esposa, tu me fazes delirar com um só dos teus olhares, com um só colar do teu pescoço.
    Como são deliciosas as tuas carícias, minha irmã, minha esposa!
    Mais deliciosos que o vinho são teus amores, e o odor dos teus perfumes excede o de todos os aromas!
    Teus lábios, ó esposa, destilam o mel; há mel e leite sob a tua língua.
    O perfume de tuas vestes é como o perfume do Líbano.
    És um jardim fechado, minha irmã, minha esposa, uma nascente fechada, uma fonte selada.
    Teus rebentos são como um bosque de romãs com frutos deliciosos; com ligústica e nardo, nardo e açafrão, canela e cinamomo, com todas as árvores de incenso, mirra e aloés, com os balsámos mais preciosos.
    És a fonte de meu jardim, uma fonte de água viva, um riacho que corre do Líbano.
    Levanta-te, vento do norte, vem tu, vento do sul. Sopra no meu jardim para que se espalhem os meus perfumes.
    Entre meu amado no seu jardim, prove-lhe os frutos deliciosos.

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