Do sono da desperta Grécia. Ruy Belo

IMGP1002

Nenhuma voz em esparta nem no oriente
se dirigira ainda aos homens do futuro
quando da acrópole de atenas péricles hierático
falou: «ainda que o declínio das coisas
todas humanas ameace sabei vós ó vindouros
que nós aqui erguemos a máis célebre e feliz cidade»
Eram palavras novas sob a mesma
abóbada celeste outrora aberta em estrelas
sobre a cabeça do emissário de argos
que aguardava o sinal da rendição de tróia
e sobre o dramaturgo sófocles roubando
aos dias desse tempo intemporais conflitos
chegados até nós na força do teatro
Apoiada na sua longilínea lança
a deusa atenas pensa ainda para nós
Pela primeira vez o homem se interroga
sem livro algum sagrado sobre a sua inteligência
e a tragédia a arte o pensamento
desvendam o destino a divindade o universo
Em busca da verdade o homem chega
às noções de justiça e liberdade
Após quatro milénios de uma sujeição servil
o homem olha os deuses face a face
e desafia o força do tirano
E nós ainda hoje nos interrogamos
a interrogação define a nossa livre condição
O desafio de antígona e de prometeu
é hoje ainda o nosso desafio
embora com um rio o tempo haja corrido
«Diz em lacedemónia ó estrangeiro
que morremos aqui para servir a lei»
«E se esta noite é uma noite do destino
bendita seja ela pois é condição da aurora»
Palavras seculares vivas ainda agora
Uma grécia secreta dorme em cada coração
na noite que precede a inevitável manhã

Ruy Belo. Transporte no tempo (1973).
Em Todos os poemas II. Assírio e Alvim. 2004
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2 thoughts on “Do sono da desperta Grécia. Ruy Belo

  1. Quantum Mutata
    Oscar Wilde

    There was a time in Europe long ago
    When no man died for freedom anywhere,
    But England’s lion leaping from its lair
    Laid hands on the oppressor! it was so
    While England could a great Republic show.
    Witness the men of Piedmont, chiefest care
    Of Cromwell, when with impotent despair
    The Pontiff in his painted portico
    Trembled before our stern ambassadors.
    How comes it then that from such high estate
    We have thus fallen, save that Luxury
    With barren merchandise piles up the gate
    Where noble thoughts and deeds should enter by:
    Else might we still be Milton’s heritors.

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