Evolução. Antero de Quental

butterfly 107

Fui rocha em tempo, e fui no mundo antigo

tronco ou ramo na incógnita floresta…

Onda, espumei, quebrando-me na aresta

Do granito, antiquíssimo inimigo…

 

Rugi, fera talvez, buscando abrigo

Na caverna que ensombra urze e giesta;

O, monstro primitivo, ergui a testa

No limoso paúl, glauco pascigo…

 

Hoje sou homem, e na sombra enorme

Vejo, a meus pés, a escada multiforme,

Que desce, em espirais, da imensidade…

 

Interrogo o infinito e às vezes choro…

Mas estendendo as mãos no vácuo, adoro

E aspiro unicamente à liberdade

 

Antero de Quental

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2 thoughts on “Evolução. Antero de Quental

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