Poema da despedida. Mia Couto

butterfly  101

Não saberei nunca

dizer adeus

Afinal,

só os mortos sabem morrer

Resta ainda tudo,
só nós não podemos ser

Talvez o amor,
neste tempo,
seja ainda cedo

Não é este sossego
que eu queria,
este exílio de tudo,
esta solidão de todos

Agora
não resta de mim
o que seja meu
e quando tento
o magro invento de um sonho
todo o inferno me vem à boca

Nenhuma palavra
alcança o mundo, eu sei
Ainda assim,
escrevo.

Mia Couto

In: Raiz de Orvalho e Outros Poemas

Anúncios

One thought on “Poema da despedida. Mia Couto

  1. NO MOMENTO DO ADEUS SUCEDE QUE OS AMANTES
    Gonçalves Crespo

    No momento do adeus sucede que os amantes
    Se abraçam, a chorar, com vozes soluçantes.
    Força, é força partir; a mão prende-se à mão,
    E uma infinda tristeza inunda o coração.

    Para nós, meu amor, nessa hora de agonia,
    Não houve o padecer que as almas excrucia;
    Foi grave o nosso adeus e frio, e só agora
    É que a Dor nos subjuga, e a Angústia nos devora.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s