Poema XX. Eugénio de Andrade

Alecrim
Não, não é ainda a inquieta
luz de março
à proa de um sorriso,
nem a gloriosa ascensão do trigo,a seda de uma andorinha roçando
o ombro nu,
o pequeno e solitário rio adormecido
na garganta;não, nem o cheiro acidulado e bom
do corpo depois do amor,
pelas ruas a caminho do mar,
ou o despenhado silêncio

da pequena praça,
como um barco, o sorriso à proa;

não, é só um olhar.

Eugénio de Andrade, in Branco no Branco
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